Propagandas “empoderadoras”: iniciativa ou demanda social?

As redes sociais são atualmente uma poderosa ferramenta de modificação e exposição do que é a sociedade brasileira. O que parece é que tudo hoje em dia gira em torno das redes sociais, tudo que é aceito ou rejeitado, certo ou errado, coerente ou incoerente passa pelo julgamento dos milhões de internautas brasileiros. Paralelamente a isso, diversas minorias (mulheres, negros e negras e homossexuais) se organizam e se manifestam via redes sociais, criando grupos e páginas de grande alcance, fazendo com que se comuniquem, troquem experiências, relatos e vivências cotidianas. Toda essa relevância que as redes sociais estão tomando em nossa sociedade, e a força e união que esses grupos minoritários estão adquirindo podem ser ilustradas no caso da publicidade, que está passando por uma grande revolução nos últimos três anos.

As campanhas publicitárias são um reflexo do nosso imaginário social, já que para serem aceitas e tornarem um produto desejado, é necessário que as propagandas fiquem dentro dos padrões vigentes. O que acontece atualmente é que as mulheres, negros e negras, homossexuais e qualquer outro grupo que seja uma minoria em relação a direitos civis mas uma maioria da população de consumidores não está mais aceitando qualquer tipo de campanha publicitária que seja ofensiva ou que faça apologia a qualquer tipo de violência e preconceito.

Uma pesquisa realizada pela SheKnows Media perguntou a cerca de 4 mil pessoas quais são suas opiniões sobre as “propagandas empoderadoras”. Os resultados mostram que 97% das mulheres entrevistadas acreditam que as campanhas publicitárias causam impactos sobre como a sociedade as vê. Além disso, 53% das mulheres que responderam o questionário já compraram produtos porque gostaram da forma como a figura feminina foi exposta na propaganda do produto.

Um dos exemplos reais da revolução publicitária que vem acontecendo pode ser observada no caso da marca de cervejas Skol. No período pré-Carnaval de 2015 a marca publicou em diversos outdoors e pontos de ônibus frases como “Esqueci o ‘não’ em casa” e “Topo antes de saber a pergunta”. Essas frases geraram muitas manifestações online por se tratarem de afirmações que podem ser associadas à apologia ao estupro. Por conta disso, a marca resolveu retirar a campanha, e se desculpou publicamente pela interpretação dúbia que a campanha causou.

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Porém, em 2017, a Skol está trazendo campanhas que tem como bandeira a quebra de estereótipos. Com o slogan “Redondo é sair do seu quadrado” a marca trouxe no verão um filme que estimula todos os tipos de pessoas a não terem vergonha de sair de casa por qualquer característica física, mas sim tendo orgulho de ser quem é.

Além disso, ainda mais recentemente, em abril deste ano, a Skol lança a coleção limitada de latas intituladas “Skolors”, que é inspirada nos diversos tons de pele do brasileiro. Essa coleção trouxe consigo um filme repleto de pessoas de todas as cores: albinos, ruivos, pessoas com vitiligo e negros.

Esse é só um dos muitos exemplos de marcas que vêm ao longo dos anos modificando as bandeiras de suas propagandas. É necessário atentar-se para o fato de que não são as marcas que estão tomando a iniciativa para diminuir a quantidade de machismo, racismo, homofobia e qualquer outro tipo de preconceito em nossa sociedade. As marcas realizam suas campanhas pois querem vender um produto para um tipo de público, e a forma como elas alcançam esse público hoje em dia é evitando ao máximo materiais com conteúdos sexistas, em um caso em que o público alvo seja feminino, por exemplo. Ou seja, essas campanhas são apenas um reflexo na modificação do nosso imaginário social, as pessoas estão cada vez mais conscientes das necessidades de mudanças em nossa sociedade, e a publicidade é só um exemplo de setor que está sendo afetado por essa nova onda, a tendência é que esses conceitos fiquem cada vez mais nítidos, diminuindo assim a quantidade de machismo e preconceito ao nosso redor, ou pelo menos incentivando as pessoas a terem força e voz para combater esse tipo de atitude.

Referências Bibliográficas

http://www.sheknowsmedia.com/attachments/3224/SheKnows-Media-Femvertising-Infographic-2016.pdf

http://thinkolga.com/2015/02/10/o-despertar-da-publicidade-para-mulheres/

http://www.forebrain.com.br/noticias/femvertising-o-empoderamento-das-mulheres-na-publicidade/

http://www.b9.com.br/59594/advertising/voce-sabe-o-que-e-femvertising/

https://www.cartacapital.com.br/blogs/feminismo-pra-que/a-representacao-da-mulher-na-midia-e-em-produtos-7011.html

http://www.administradores.com.br/mobile/noticias/marketing/como-o-ciberfeminismo-esta-moldando-uma-nova-publicidade/105731/

http://adnews.com.br/publicidade/o-ano-do-empoderamento-feminino-na-propaganda.html

Ana Heloise Lopes Diniz

 

 

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