O PET está em greve

Em reunião no dia 31 de outubro, nós, do PET Ciências Sociais, decidimos pela entrada do grupo na greve geral dos estudantes da UFPR. Entendendo a necessidade de mobilização, apoio e alargamento da greve aos demais setores da universidade, as atividades do grupo foram inteiramente paralisadas. Assim como o PIBID e outros projetos de extensão que já declararam sua paralisação e apoio, o PET declara agora seu total suporte à greve dos estudantes da UFPR.

Percebemos, como foi colocado diversas vezes na Assembleia geral dos estudantes da universidade, a necessidade latente em alargar e construir um espírito de mobilização e integração dos estudantes para a greve. Neste sentido, dar continuidade às atividades do grupo ou mesmo não declarar nosso apoio, como estudantes e petianos, seria furar a greve e deslegitimar a ação dos demais discentes que estão continuamente mobilizados em prol da mesma. Como grupo e como estudantes de Ciências Sociais, nós estamos em greve contra a PEC 241 (PEC 55), os cortes na educação – já iniciados no governo do PT, a medida provisória 746/16 (que institui as mudanças no ensino médio) e em apoio e inspirados pelo exemplo dos secundaristas de todo Brasil.

Ainda que declarando este apoio tardiamente, endossamos as posições tomadas na Assembleia geral dos estudantes da UFPR e na assembleia do curso de Ciências Sociais. Acreditamos no peso e necessidade das ocupações e, sobretudo, acreditamos nas ocupações como atos políticos de oposição às medidas e projetos que já nos têm afetado diariamente e nos afetarão futuramente. Como estudantes, temos visto seguidamente a qualificação das ocupações como invasões e, aqui, aproveitamos nosso espaço de fala para reiterar mais uma vez, como todos aqueles já mobilizados, que chamar a ação dos estudantes de invasão é criminalizar e deslegitimar uma luta árdua, organizada e fundamentada. A ocupação dos prédios da UFPR, cada vez maior e alargada para outros setores da universidade, é legal e necessária; uma medida adotada de maneira democrática e legítima nas assembleias dos estudantes e dos cursos da UFPR. Ademais, é calcada na impossibilidade de diálogo com as autoridades acadêmicas, políticas, legais etc, que não nos escutam, que não nos recebem nem nos procuram, que desqualificam nossas ações e invisibilizam continuamente a luta dos estudantes por todo Brasil.

Sabemos da dificuldade em construir essa luta, especialmente se tratando da disputa por espaços de fala e de visibilidade. A deflagração da greve, neste momento, exige, por um lado, a postura dos estudantes em dialogar com os professores, tutores, orientadores (sabemos, contudo, da impossibilidade em interromper determinados projetos por razões inúmeras) e, por outro, de nos mobilizarmos para a construção e debate das demandas que originaram a greve dos estudantes.

Muitos de nós, cientistas sociais, seremos licenciados no futuro, isto é, atuaremos (ou atuaríamos) como professores de sociologia no ensino médio. Propostas como a medida provisória 746 nos afetam diretamente, pois ao retirar nosso conteúdo de ensino das escolas, estão retirando nossa possibilidade de trabalho. Ainda assim, se nos restasse a possibilidade de formação e carreira acadêmica, os diversos cortes na educação têm enxugado cada vez mais a oferta de bolsas de auxílio econômico, restringindo o espaço do ensino superior apenas àqueles com suporte econômico e social. Entendemos, assim, que as pautas que exigiram e continuam a exigir a greve dos estudantes dizem respeito, em muitos aspectos, à luta por uma universidade com abertura real às mulheres, negros, comunidade LGBT, pobres e todos aqueles que a sociedade brasileira têm impedido historicamente de acessar e participar ativamente da construção do ensino superior no Brasil.

Ademais, medidas como as propostas pela PEC 55 e pelos cortes de gastos com a educação já nos mostraram, em retrospectiva histórica, que as decisões tomadas pelas autoridades políticas no sentido de afunilar ainda mais a entrada no ensino superior, retirar e restringir os direitos e auxílios que mantêm parte dos estudantes nas universidades, além da reforma do ensino médio, sobretudo com a exclusão optativa (sic) das disciplinas de formação crítica, jamais representaram avanço ou desenvolvimento ao país! Estas medidas terminam, antes, por sucatear e reproduzir o ciclo elitista do ensino superior brasileiro que, por sua vez, reproduz um sistema de classes em que a maioria da população está profundamente distanciada da educação e de trabalhos devidamente remunerados. Os resultados são, de maneira geral, uma população majoritariamente trabalhadora e explorada, criada neste sistema de impedimento ao acesso às “qualificações” e educadas para um futuro de ainda mais exploração.

É neste contexto que nós, estudantes, necessitamos agir com urgência e nos apoiar para o alargamento, debate e significação da greve geral agora, em novembro de 2016.

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